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5月7日 Daqui alguns anos... (Ano de 2036)No ano de 2036 sentado na varanda da minha casa, em uma madrugada estrelada, com meus 47 anos, meu filho de 15 anos sentado ao meu lado pergunta para mim: - Pai porque você e a minha mãe ainda estão casados? Já que todos os seus amigos estão separados? Todo mundo se separa hoje em dia, mas você e a mamãe não, por quê? Então eu digo para ele sobre o amor que existe entre eu e a mãe dele: - Meu filho durante muito tempo o amor foi mais importante do que o dinheiro, do que o poder ou o status, durante muito tempo. Agora o amor é quase um mito, não se acredita mais que podemos (homo sapiens) amarmos uns aos outros. Mas eu acredito no amor, e sei que amor é um sentimento único, que todos nós sentimos, mas o poder e o status cegaram as pessoas, que transformaram o amor em mercadoria, até que este amor foi se tornando cada vez mais fútil e descartável. Eu meu filho amo sua mãe por que sei o sentido de amar, não me importo se o amor me traz benefícios, apenas sinto e vivo o amor, não só pela sua mãe que é mais intenso, mas também por meus amigos e familiares. Saber que o amor não depende do outro e sim de nós mesmos é fundamental, não podemos amar esperando sermos amados pelo outro, e nem devemos deixar de demonstrar o amor que sentimos só porque temos medo de não sermos amados também. Meu filho eu nunca amei sua mãe da mesma forma, mas sempre respeitei o amor que ela sente e sentiu por mim, há momentos que a intensidade do amor vai diminuir, outros irá aumentar, mas ele sempre existirá. Respeitar a forma de amar do outro é mais importante do que saber a intensidade que é esse amor, por isso eu e sua mãe estamos juntos e nos amando tanto, ela apenas sente o amor não o mede para poder prová-lo, assim como eu apenas vivo o amor dela, não questiono o quanto a mais ela ama ou deixou de me amar. Meu filho vez uma cara de "e agora?", e me perguntou: - Mas pai como eu posso saber o que é amor? Como eu vou sentir um amor sem saber que outra pessoa me ama? Então tentando deixá-lo pensar mais um pouco, respondi: - Filho, Eu te amo, alguma vez precisei dizê-lo para que você sentisse o meu amor? Ou você tem dúvidas do meu amor por ti? Assustado ele responde: - Não pai eu nunca duvidei. Então voltei a perguntar: - Então você sente que eu te amo? Meio sem jeito: - Sim pai, eu sinto. Então o coloquei contra a parede: - Por quê? Agora ele entendera, demorou a responder, ficou com a cabeça baixa alguns segundos, olhou ao horizonte onde já se via os primeiros raios do sol, prendeu a respiração por mais alguns segundos e disse: - Eu não sei, mas eu sinto, e não quero explicar por que sinto, apenas quero que sinta que eu também te amo, mas não quero provar que te amo. Você não precisa saber que eu te amo, apenas precisa senti-lo. Mamãe ainda te ama porque você ainda sente o amor dela e você a ama porque ela ainda sente o seu amor. Então ele sorriu, olhou-me nos olhos e disse: - Pai eu quero mudar o mundo, não quero deixar mais que a cede pelo poder sobrepuje o amor, deixando as pessoas cada vez mais solitárias e desamparadas. Amarei a todos que eu puder amar até que eles saibam como o amor faz bem. Por você pai. Ele entrou em casa, após dizer isso, calmo e sereno, passos lentos e calculados, deixando sentir à brisa de uma manhã de Outono, leve, muito leve. Ele agora viverá diferentemente do seu tempo, pois não terá medo de amar. Provavelmente irá sofrer, será torturado pela nossa cultura totalmente transformada pelo capitalismo, que fez com que o amor se tornasse mercadoria, e com o tempo as pessoas consideraram-no inútil, pois no capitalismo o que manda são os lucros, mas no amor não se pode lucrar, porque não temos nenhum beneficio com amor a não ser podermos contarmos com alguém quando estivermos em dificuldade, no entanto o capitalista é individualista e egoísta e ensinou as pessoas que não precisamos umas das outras para vivermos; na verdade para vivermos não, qualquer um pode viver uma promoção no emprego sozinho, agora, ninguém sobrevive a uma doença grave sem alguém por perto. E é nesse mundo que meu filho irá tentar mostrar que o amor faz bem, por mim ele irá tentar, na verdade ele pode até morrer tentando, pois não será fácil, mas o que importa é que o mundo seja melhor. Não sentirei culpa ou remorsos pelo seu sofrimento, mas sim orgulho, pois ele tentará algo que eu não me esforcei para conseguir; mudar o mundo.
Ainda há tempo para eu mudar o mundo, para que meu filho não tenha que sofrer, estou começando... e você? |
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